Série: Dilemas de um adolescente III

POR Psicóloga Renata Huf 23/06/2017

BEBIDAS ALCOOLICAS: SERÁ QUE DIZER NÃO É SUFICIENTE?

Por que ele é tão atrativo? Por que se eu sair com meus amigos e não beber serei motivo de piada? O que acontece com o meu corpo ao beber? Essas perguntas acabam sendo pertinentes no mundo do adolescente que está formando laços de amizade, caráter e princípios.
Sensação de prazer, comportamento desinibido, aceitação dos amigos e o fato de ser proibido são alguns dos motivos que levam os jovens adolescentes à experimentarem e beber de maneira perigosa. Estudos comprovam que o uso de álcool é a porta de entrada para o consumo de drogas ilícitas principalmente se for iniciado entre 16,17 anos e adolescentes têm 5 vezes mais chance de apresentar problemas decorrentes do uso do álcool do que aqueles que começaram a beber depois dos 21 anos de idade.
Ao beber apenas duas latinhas de cerveja, há uma sensação de euforia, prazer e excitação. Em média o corpo leva 1 hora para metabolizar 1 lata de cerveja, então se você tomar 6 latas o álcool estará em seu corpo por 6 horas. A longo prazo algumas doenças podem surgir, como aumento de pressão, arritmia, colesterol alto e aumento de gordura nas artérias. A curto prazo, dependendo da quantidade de álcool ingerido os efeitos são fala arrastada, vômitos, azia, dores de cabeça, dificuldade de raciocínio, falhas de memória e alteração da coordenação motora.
No corpo de pessoas mais jovens, por conta do metabolismo, o efeito do álcool é potencializado, e o assunto se torna mais grave ainda quando se trata de meninas bebendo, pelo fato de que a concentração de álcool é maior no sangue feminino. Além disso o corpo, tanto de garotos como garotas, não está preparado para receber substâncias tóxicas como o corpo de um adulto, pois compromete o sistema nervoso central (SNC) ainda em desenvolvimento.
O primeiro contato com a bebida se dá na maioria das vezes em casa. As reuniões de família, ocasiões especiais ou alguma bebida escondida na geladeira ou dispensa chamam a atenção desde cedo, tornando o consumo objeto de desejo. Escutar sobre os malefícios e prejuízos do álcool e depois observar amigos, parentes e até mesmo pais bebendo, acaba sendo incoerente e dificulta a noção do que é certo e errado.
Mas você deve estar se perguntando, em meio a esse cenário o que eu devo fazer? “Eu tenho desejo e curiosidade, porém sei que é errado”
Nesse caso algumas medidas podem ser tomadas: Falar sobre as inquietações, dúvidas, curiosidade, desejo e o desafio de dizer não é um dos passos para ter a consciência de escolhas. Para isso você pode conversar com seus pais, um adulto de confiança ou até mesmo buscar ajuda profissional. O processo de falar sobre faz com que nós elaboremos de maneira eficiente no nosso cérebro questões que podem ser um pouco confusas, dando sentido para pensamentos e tornando as atitudes autênticas, coincidindo o que você aparenta com o que
você é. Assim, você não estará dizendo apenas não, mas você entenderá a razão de dizer não.
Deve se ter em mente que crescer significa ser consciente das suas atitudes e escolhas e arcar com as consequências, sejam positivas ou negativas. A frase “todo mundo está fazendo” não deve ser parâmetro para suas decisões, pois no final é somente você quem irá sofrer ou se beneficiar com elas. Portanto, antes de dizer não, saiba a razão pela qual você está dizendo não. Assim será fácil conviver com a sua escolha.
Renata Huf
Psicóloga
CRP 06/134327